A Evolução Da Música Sertaneja No Brasil (se é que ela evoluiu)

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Os mais novos podem pensar que a música sertaneja é baseada no som que atualmente tem feito bastante sucesso entre o público, como o som das duplas Jorge & Matheus, Fernando & Sorocaba ou ainda Gusttavo Lima e Michel Teló, com seus hits que não param de tocar nas rádios e que são sucessos por todo o Brasil.


A Evolução Da Música Sertaneja No Brasil

Mas as origens deste gênero de música são muito mais antigas, e passam por várias épocas, que são marcadas por estilos e utilizações de diversos instrumentos musicais e o aproveitamento de diversos ritmos e influências musicais de outros gêneros. Por isso, a imprensa especializada divide essas fases como gerações, que iremos abordar a partir de agora no nosso artigo de hoje, fazendo o fã do gênero se aprofundar mais e descobrir as diversas facetas de um dos mais populares gêneros de música brasileira: a Música Sertaneja!

O Que Se Compreende Como Sertanejo?

Do ponto de vista gramatical, o sertanejo se refere diretamente com localidades, pessoas e pontos de referência distantes das áreas urbanas, ou seja, das cidades. Para outros, se refere diretamente o ponto comum com a cultura e hábitos nordestinos, marcados principalmente pela dificuldade de sobrevivência e clima bastante agressivo para a realização de muitas coisas.

Com o passar do tempo, o termo sertanejo passou a ser ligado aos hábitos e costumes que integram a cultura interiorana dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Paraná, dentre esses hábitos e costumes, obrigatoriamente se abriga a música, que acabou sendo a designação mais popular do termo nos dias de hoje. Esse gênero ficou dividido em algumas partes, que começaremo a ver agora.

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O Começo Da Música Sertaneja

Os primórdios da música sertaneja remontam as décadas de 1910 e 1920, fato confirmado pelo recolhimento de letras, músicas e gravações do interior paulista, região norte e central paranaense, sudeste goiano e matogrossense e sul do triângulo mineiro. Esse movimente foi desenvolvido pelo jornalista Cornélio Pires, que além de escritor, fez sucesso com composições do gênero em sua época. Os historiadores e apreciadores do gênero denominaram essa fase da Música Sertaneja com Sertanejo Raiz.

O Começo Da Música Sertaneja

O Começo Da Música Sertaneja

Os primeiros nomes que encontraram o sucesso nesse primeiro momento da música sertaneja foram Tonico e Tinoco, Vieira e Vieirinha, o próprio Cornélio Pires e Alvarenga & Ranchinho. O Sertanejo de Raiz eram baseadas na viola caipira, gaita e instrumentos de cada região, que eram confeccionados artesanalmente. As músicas contavam a história do homem do interior, através de narrativas reais ou fantasiosas em que muitas vezes os próprios autores cantavam suas músicas.

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A Segunda Geração

A música sertaneja deste momento foi profundamente inspirada pela entrada de influências de gêneros estrangeiros, que mudaram a “cara” da música seraneja, promovendo uma evolução do estilo de música, com a introdução de elementos harmônicos da guarânia e da polca paraguaia e também do mariachi mexicano.

Desenvolvida a partir do final da Segunda Grande Guerra, a introdução desses ritmos promoveu, quase que obrigatoriamente a introdução dos instrumentos que faziam parte dos outros ritmos que estavam influenciando a música sertaneja, principalmente a harpa e o acordeão, influências fortes dos ritmos paraguaios.

Deixando um pouco para trás as histórias fantasiosas do homem do interior, a música sertaneja da Segunda geração passou a falar mais de assuntos amorosos, se tornando um pouco mais parecida com o que já conhecemos nos dias de hoje. Nessa fase, os nomes que mais se destacaram foram as Irmãs Galvão, Palmeira e Bia e as Irmãs Castro, além de Tião Carreiro e Milionário e José Rico.

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E o Sertanejo Ganhou a Capital, a Popularização Do Sertanejo

A terceira fase da música sertaneja foi marcada principalmente pela influência da introdução da Guitarra Elétrica, que estava brilhando na Jovem Guarda e que trouxe uma identidade mais jovem ao gênero musical, além da adesão ao ritmo de alguns artistas de renome.

Um dos maiores responsáveis pela popularização do ritmo na época foi o cantor Sérgio Reis, que já era um nome em ascensão no movimento da Jovem Guarda e que decidiu migrar para a música sertaneja, no início da década de 70. A exposição que Sérgio Reis promoveu à música sertaneja fez com que o ritmo saltasse no gosto do público das Rádios AM, que eram na época o maior palco dessa música nos anos 70 e que foram ganhando espaço na década seguinte nas FMs para depois ganhar definitivamente o gosto do público na televisão, onde algumas músicas foram tão populares que chegaram a participar das trilhas sonoras de novelas, na década de 80.

Quanto aos traços musicais desta terceira fase podemos dizer que o Amor continuou a ser a principal temática das músicas, tanto quando eram composições inéditas nacionais como quando eram releituras de antigos sucessos em inglês. Já no âmbito harmônico, a principal mudança notada foi a exploração dos gritos quase sem fim e do tom de voz mais agudo, que eram sucesso quase garantido entre os fãs do sertanejo.

O gênero começou a ser cada vez mais explorado comercialmente, e as duplas não paravam de surgir em todo o Brasil, pipocando as rádios de sucessos sertanejos entre os anos 80 e 90. Os principais nomes desta terceira geração foram Chitãozinho e Xororó, Leandro & Leonardo, Gian & Giovani, Zezé di Camargo & Luciano e Christian & Ralf, que faziam a alegria de milhares de fãs por todo o país.

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O Sertanejo De Quarta Geração

Popularizado, forte e com um legião fiel de fãs, o ritmo ganhou sua quarta geração baseada principalmente no maior público que possui: jovens universitários. Daí o surgimento do nome Sertanejo Universitário, tão popular nos dias de hoje.

A temática das músicas do ritmo passou a ser a alegria, festas e mesmo situações engraçadas, que entraram no lugar do romantismo presente há duas gerações do gênero. No aspecto musical, a principal mudança foi a adoção cada vez maior de instrumentos eletrônicos nas composições, que proporcionaram uma nova roupagem ao estilo.

Se muitos torcem o nariz para esse tipo de música, é fato que muita gente também gosta e muito do gênero, que se mantém firme e forte mesmo após um século do surgimento das suas raízes.

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