Nova gasolina chega em agosto com redução de 6% no consumo do veículo

A partir de agosto, toda a gasolina produzida em refinarias do Brasil ou importada para distribuição no País passará a ser disponibilizada com maior qualidade aos clientes nos postos.

O objetivo é evitar problemas mecânicos como pré-ignição do motor, especialmente em veículos mais recentes, além de proporcionar menor consumo de combustível – ainda que isso vá resultar em maior preço por litro ao consumidor final.

Anelise Lara, diretora de refino e gás natural pela Petrobras, antecipou algumas dessas informações durante live promovida ontem no Youtube pela AEA (Associação Brasileira de Engenharia Automotiva).

“A nova especificação é bem-vinda e vai aproximar a qualidade do combustível comercializado no Brasil ao do mercado americano e europeu. A qualidade da gasolina vai aumentar em termos de octanagem e massa específica, o que significa um combustível mais eficiente e melhor proteção aos motores dos veículos”, disse a executiva.

Na transmissão, Anelise também informou que, a reboque da melhoria na qualidade, também haverá aumento nos preços. UOL Carros procurou a Petrobras para saber qual é a estimativa de reajuste, porém a empresa ainda não dispõe dessa informação.

A diretora enfatizou que, mesmo ficando mais cara, o consumo menor ainda fará a novidade valer a pena ao cliente final.

“Como a gente pratica o preço de paridade com a importação, ela será mais cara porque será comparada com gasolinas de melhor qualidade do exterior. Mas vai compensar muito porque será uma gasolina mais eficiente, então você vai rodar mais quilômetros por litro. No final, em termos de custo para o consumidor, vai ser positivo.”

A nova especificação atente a Resolução 807/20 da ANP (Agência Nacional do Petróleo), publicada no início deste ano, determinando que a gasolina comum tenha massa específica mínima de 715 kg/m³ e octanagem mínima de 92 octanas pela metodologia RON (research octane number ou método de pesquisa).

Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da AEA, explica que massa específica, em linhas gerais, é a densidade, enquanto a octanagem mede a resistência do produto à combustão – quanto mais alta, o combustível aceita maiores taxas de compressão e entrega mais desempenho.

A partir de janeiro de 2022, a octanagem da gasolina comum nessa metodologia sobe para 93 octanas.

Esse novo parâmetro de octanagem, de acordo com a Petrobras, é “mais adequado às novas tecnologias de motores”.

Gonçalves acompanhou todo o processo que culminou na resolução da ANP.

Segundo ele, a expectativa é de que, com a nova gasolina, o consumo médio tenha uma redução de 6%, podendo variar para baixo ou para cima, dependendo do tipo de veículo, do estilo de condução e das condições atmosféricas.

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